segunda-feira, 7 de junho de 2010

Desculpe o Transtorno, estou em Construção

Eu vivi uma experiência pessoal de encontro com Deus no ano de 2000 eu tinha 17 anos de idade depois deste encontro comecei a participar ativamente da vida da Igreja. Havia uma vontade de buscar a Deus e conhecer mais esse "MUNDO NOVO" que me encantava a cada dia eu estava vivendo aquilo que chamam de primeiro amor, ou seja, havia sido tocado, de fato, pelo amor de Deus. Amor incomparável e indescritível.
O que posso dizer é que jamais havia me sentido amado daquele modo e, esta presença amorosa de Deus me impulsionava a dar uma resposta adequada, embora sempre negava esse amor que recebia, afinal, sou limitado e Deus sempre me superava em bondade e amor por mim.

Esta resposta a qual me esforçava por dar a este Deus que me ama tanto assumia a forma de orações cada vez mais espontâneas e sinceras, assim como um novo modo de olhar e perceber o mundo a minha volta e também um novo modo de me relacionar com os outros. Tudo havia se tornado diferente. Muita coisa havia mudado. Acredito que era Deus mesmo a me transformar em um homem novo e a fazer de mim uma nova criatura, à medida que mais e mais estivesse junto d'Ele.
A este novo modo de viver e relacionar-se com Deus, com os outros, com o mundo e comigo mesmo, pode ser denominado espiritualidade. Existe uma vida interior que precisa ser cultivada e enriquecida por meio de orações e exercícios espirituais a fim de aproximar nossa alma cada vez mais de seu criador. Tais exercícios espirituais devem gerar uma conversão sincera e uma prática cristã transformadora também da realidade à nossa volta conferindo uma autêntica sensibilidade aos nossos irmãos.
Esta vida interior – como diriam os mestres espirituais – em certos momentos assemelha-se à nossa vida exterior. Neste sentido, da mesma forma que é custoso formar nossa vida, a fim de obtermos a felicidade, tornando nosso existir mais saudável e pleno, do mesmo modo, faz-nos necessário compreender que temos uma vida espiritual, mas que esta também, exige de nós esforço e não pouco sofrimento para construí-la.Utilizo este termo “construir”, pois é deste modo que vejo a minha vida espiritual: estamos sempre em construção. Em nossas cidades, constantemente percebemos uma obra sendo realizada aqui e ali: seja um novo viaduto, um reparo da rede de esgoto, obras de metrô, seja mesmo um sem fim de “tapa-buracos” em nossos asfaltos.
Por isso, o termo construção se aplica muito bem à nossa vida espiritual, pois neste processo de descobrir quem Deus é, vou também descobrindo quem é o outro e quem sou eu. Mas esta descoberta também não se dá sem barulho, sem “quebra-quebra”, sem tumultos. Porque é um processo muitas vezes doloroso saber que eu não sou tão bom quanto minha família dizia que eu era. Porque vou descobrindo que o outro pode, tantas vezes, me ferir, especialmente quando concedo a ele esta liberdade. A construção aparece como um caminho de revelação das sujeiras da cidade, da confusão e do barulho. Mas, ao ser concluída, a boa obra completada, se mostra totalmente oposta à situação de caos inicial.
De modo semelhante, quando nos prontificamos a entrar nos caminhos do Senhor , devemos nos preparar para encontrar o que há de mais sujo, barulhento e caótico em nossa alma, mas nunca deixando de lado a ideia de que o arquiteto desta obra vê além e, no meio da confusão da obra ele consegue visualizar a beleza que se esconde por trás de tudo isso. Então, se, em algum momento e por algum motivo, magoarmos aos outros durante este processo de construção, vale a pena pegar emprestada uma frase que se pode observar com muita constância em qualquer canteiro de obras de nossa cidade: “desculpe o transtorno, estou em construção”... Por isso quero deixar aqui o meu pedido de perdão a todos aqueles que de alguma forma eu magoei, me DESCULPA estou em CONSTRUÇÃO.

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