segunda-feira, 7 de junho de 2010

Maria, Carta Viva de Deus!

"Com toda evidência vós sois uma carta de Cristo confiada a nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos vossos corações" (II Cor 3,3). São Paulo escreve esta Palavra aos membros da Igreja em Corinto. O frei Raniero Cantalamessa usa esta Palavra para referir-se a Nossa Senhora, Mãe e figura de toda a Igreja. E faz isto amparado pela tradição da Igreja: Orígenes falou de Maria como uma tabuazinha encerada sobre a qual Deus pôde escrever tudo aquilo que quis e Sto Epifânio, como um livro grande e novo no qual só o Espírito Santo escreveu. A carta viva de Deus que é Maria, começa com uma palavra que guarda em si, como uma semente, toda a sua vida: "Alegra-te ó cheia de Graça, o Senhor está contigo"(Lc 1,28). Naquele momento o Espírito sopra no coração de Maria o entendimento de que Deus a favorecera grandemente, que a enchera de Graça sem mérito algum de sua parte, e que também sem mérito algum de sua parte a convida a tomar parte no seu desígnio de amor por toda a humanidade. Deus a elege gratuitamente. Que significa para nós o fato da história de Maria começar assim? Significa que para nós também, no começo de tudo está a graça, a livre e gratuita eleição de Deus. A primeira obra do Espírito na vida de Maria foi purificá-la de todo pecado Original no ato de sua criação, imprimindo nela a marca de sua eleição, da escolha divina em sua vida. Na nossa vida, a primeira obra do Espírito é também, junto com o Pai e o Filho, criar-nos e eleger-nos para Deus, e purificar-nos do Pecado Original pelo Batismo. Tudo isto, como em Maria, acontece na nossa vida gratuitamente, sem mérito algum de nossa parte, Não pudemos merecer, e nunca poderemos pagar nossa eleição à vida o chamado que Deus faz a nós. A vida de Maria, como carta escrita por Deus a nós proclama esta verdade em primeiro lugar. Assim como Maria, ao tomarmos conhecimento de nossa eleição, e da gratuidade da Salvação que nos foi ofertada por Deus, o mesmo Espírito nos impulsiona ao desejo de doarmos inteiramente a nossa vida a Ele, como fez Maria: "Faça-se em mim segundo a vossa Palavra", e ao próximo, como fez Maria, correndo para servir sua prima Isabel. De fato, Maria se oferece a Deus como uma página em branco, na qual Ele pode escrever tudo o que quiser. Porém, ser dócil à ação do Espírito não consiste exatamente em inatividade, mas em ação inteiramente submissa à vontade divina. O menino por ela concebido é obra do Espírito Santo. Porém nem todos crêem nisto, e por esta razão Maria avançou desde o princípio por uma estrada onde todas as placas de sinalização parecem dizer: para trás! Ela avançou sempre antes de qualquer confirmação por parte da história. O seu sim foi suscitado não por fatos externos, mas pelo próprio Espírito Santo nas profundezas de sua alma. É sempre assim que se realizam as grandes obediências. Deus derrama sobre nós o Seu Espírito, e este nos impulsiona à Caridade, que nos impele a fazer o que Deus quer. Deus nunca impõe a sua vontade, mas dá a Caridade. Assim é que o sim de Maria é inteiramente livre, é o sim nupcial da esposa para o esposo. Sta Teresinha do menino Jesus conta em seu manuscrito o momento em que se ofereceu a Deus para sempre: "Foi um beijo de amor. Sentia-me amada e dizia: amo-te, dou-me a ti para sempre". O sim de Maria é também o sim da filha que se sabe infinitamente amada pelo Pai, como na oração de Charles de Forcauld: "É para mim uma exigência de amor o doar-me e o entregar-me nas tuas mãos sem medida, com uma confiança infinita porque tu és o meu Pai". Depois da Anunciação, toda as situações vividas por Maria eram uma aparente contradição às promessas divinas: o nascimento de Jesus em extrema pobreza, a profecia de Simeão, a necessidade de fugir para o Egito, a perda de Jesus no templo, sua vida escondida durante trinta anos, as perseguições, a morte cruenta... Deus chamou Maria a percorrer caminhos especiais, nos quais ela não tinha outra defesa contra as evidências senão a sua Palavra ouvida no íntimo. Somos chamados a seguir o itinerário de Maria, a sua vida no Espírito, caminho aonde não se pode reduzir Deus às nossas próprias idéias, às nossas próprias medidas, porque isto seria rebaixar a Deus, querer fazê-lo igual a nós, quando Ele vem para nos elevar até Ele e seus Caminhos "são infinitamente superiores aos nossos".
Formação Comunidade Shalom

Desculpe o Transtorno, estou em Construção

Eu vivi uma experiência pessoal de encontro com Deus no ano de 2000 eu tinha 17 anos de idade depois deste encontro comecei a participar ativamente da vida da Igreja. Havia uma vontade de buscar a Deus e conhecer mais esse "MUNDO NOVO" que me encantava a cada dia eu estava vivendo aquilo que chamam de primeiro amor, ou seja, havia sido tocado, de fato, pelo amor de Deus. Amor incomparável e indescritível.
O que posso dizer é que jamais havia me sentido amado daquele modo e, esta presença amorosa de Deus me impulsionava a dar uma resposta adequada, embora sempre negava esse amor que recebia, afinal, sou limitado e Deus sempre me superava em bondade e amor por mim.

Esta resposta a qual me esforçava por dar a este Deus que me ama tanto assumia a forma de orações cada vez mais espontâneas e sinceras, assim como um novo modo de olhar e perceber o mundo a minha volta e também um novo modo de me relacionar com os outros. Tudo havia se tornado diferente. Muita coisa havia mudado. Acredito que era Deus mesmo a me transformar em um homem novo e a fazer de mim uma nova criatura, à medida que mais e mais estivesse junto d'Ele.
A este novo modo de viver e relacionar-se com Deus, com os outros, com o mundo e comigo mesmo, pode ser denominado espiritualidade. Existe uma vida interior que precisa ser cultivada e enriquecida por meio de orações e exercícios espirituais a fim de aproximar nossa alma cada vez mais de seu criador. Tais exercícios espirituais devem gerar uma conversão sincera e uma prática cristã transformadora também da realidade à nossa volta conferindo uma autêntica sensibilidade aos nossos irmãos.
Esta vida interior – como diriam os mestres espirituais – em certos momentos assemelha-se à nossa vida exterior. Neste sentido, da mesma forma que é custoso formar nossa vida, a fim de obtermos a felicidade, tornando nosso existir mais saudável e pleno, do mesmo modo, faz-nos necessário compreender que temos uma vida espiritual, mas que esta também, exige de nós esforço e não pouco sofrimento para construí-la.Utilizo este termo “construir”, pois é deste modo que vejo a minha vida espiritual: estamos sempre em construção. Em nossas cidades, constantemente percebemos uma obra sendo realizada aqui e ali: seja um novo viaduto, um reparo da rede de esgoto, obras de metrô, seja mesmo um sem fim de “tapa-buracos” em nossos asfaltos.
Por isso, o termo construção se aplica muito bem à nossa vida espiritual, pois neste processo de descobrir quem Deus é, vou também descobrindo quem é o outro e quem sou eu. Mas esta descoberta também não se dá sem barulho, sem “quebra-quebra”, sem tumultos. Porque é um processo muitas vezes doloroso saber que eu não sou tão bom quanto minha família dizia que eu era. Porque vou descobrindo que o outro pode, tantas vezes, me ferir, especialmente quando concedo a ele esta liberdade. A construção aparece como um caminho de revelação das sujeiras da cidade, da confusão e do barulho. Mas, ao ser concluída, a boa obra completada, se mostra totalmente oposta à situação de caos inicial.
De modo semelhante, quando nos prontificamos a entrar nos caminhos do Senhor , devemos nos preparar para encontrar o que há de mais sujo, barulhento e caótico em nossa alma, mas nunca deixando de lado a ideia de que o arquiteto desta obra vê além e, no meio da confusão da obra ele consegue visualizar a beleza que se esconde por trás de tudo isso. Então, se, em algum momento e por algum motivo, magoarmos aos outros durante este processo de construção, vale a pena pegar emprestada uma frase que se pode observar com muita constância em qualquer canteiro de obras de nossa cidade: “desculpe o transtorno, estou em construção”... Por isso quero deixar aqui o meu pedido de perdão a todos aqueles que de alguma forma eu magoei, me DESCULPA estou em CONSTRUÇÃO.